Minino encolhido de braço cruzado e de cenho franzido que é cara fechada.

 

 

Minino encolhido e de braço cruzado

Cenho franzido que é cara fechada

Não quer comer!

O pai olha preocupado.

Já conhece aquela história.

Não adianta rezar uma novena.

Não adianta falar, pedir, mandar o minino comer.

Que nada.

Minino encolhido e de braço cruzado

Cenho franzido que é cara fechada.

Fala de novo: Não quero comer nada!

Tudo bem. Pai paciente arruma o

Prato diferente. Bem colorido – tudo

Bonito, gostoso deve estar.

Se o cheiro é bom a comida deve

Ser boa

Por que o minino não quer comer?

O pai oferece.

- Quer arroz? Branquinho, soltinho, fiz agora mesmo. Quer?

- Não!

- Quer feijão? Grãos inteiros, caldo ralinho, sem alho e sem cebola.

Do jeitinho que você gosta. Quer?

- Não!

- Tem alface e tem rúcula. Dois tipos d everdura. Tem cenoura e tem batata

Que são legumes. Tem tomate, também, que não sei se é fruta ou legumes,

Mas sei que você gosta. Sal e azeite, quer?

- Não!

O minino não quer nada. Não quer isso e nem aquilo.

Não quer comida nenhuma.

Doente não está e a comida é gostosa.

O pai fez com carinho. Só não fez carne.

Tem bife na geladeira. Tá congelado.

Ele queria guardar para o fim-de-semana, mas tudo bem.

Minino comendo pai fica feliz.

Depois ele se vira. Inventa alguma coisa e capricha na sobremesa.

O pai pega o bife na geladeira. Descongela, tempera e frita.

Coloca um pouco de farinha por cima, do jeito que o minino gosta.

Dá até água na boca.

- E agora? Quer comer carne? Olha que gostosa, tem até caldinho.

Quer?

- Não!

O pai fica sem saber. Olha para um lado , olha para o outro.

Não tem mais nada para oferecer.

A casa é simples, sem luxo, mas nunca passaram fome.

Sempre tem alguma coisa para comer.

Para e pensa para ver se surge alguma idéia.

Brigar, dar bronca, bater no minino. Isso ele não fazia,

Ainda mais por causa de comida.

O pai ouve barulho é chave na porta.

Giram a chave destrancam mexem na maçaneta uma vez.

- Não adianta, tem de ser duas.

Tá emperrada precisa arrumar.

Quem vem chegando?

- Meio dia e vinte minutos.

É a mãe do minino. Vem do trabalho, está de uniforme.

Veio só para almoçar e depois volta a trabalhar.

Ela fica bonita de uniforme. Vem e beija o pai.

Olha o minino encolhido de braços cruzados.

Cenho franzido que é cara fechada.

Conhece bem o minino.

- Ele não quer comer.

A mãe da um beijo no minino lava as mãos

E senta silenciosamente ao lado do minino.

Dá um sorriso. Puxa o prato de comida e

Sem pressa nenhuma começa a comer.

O que acontece depois?

Acontece que o pai fica ali.

Quieto parado só olhando e sem se mexer.

Vendo só.

A mãe que come: um para ela, outro para o minino.

Um para ela e outro para o minino.

Que devorava a comida do prato que agora

Era da mãe.

O minino comeu arroz.

Comeu feijão.

Comeu alface.

Dispensou a rúcula.

E comeu tomate.

Sem se preocupar se era fruta ou legumes.

Apenas comeu.



Escrito por Eduardo Abreu às 12h59
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